08 Mar 2009

i9?

Que diabos Coca-Cola?

Me deparei em dezembro no supermercado com uma nova bebida isotônica ao lado do consagrado Gatorade. Como todo consumidor, meu olho passou correndo por aquilo e rumou a qualquer outro destino. Uma semana depois, um amigo comentou que reparou o mesmo produto e me perguntou se eu tinha visto e o que eu tinha achado do nome. Parei para pensar naquele momento que não me recordava. Como eu poderia não me recordar? Primeiro sinal. Ele explicou: chama-se INOVE, é um “i” e um 9. É uma logomarca estranha, enigmática; bizarra eu poderia dizer aqui facilmente. Eu me lembrei um pouco melhor e respondi que não tinha conseguido identificar nada. Não sabia se era “i2”, “ig”, “19”, não tinha noção alguma.

Era o novo isotônico do mercado. Minha surpresa foi saber de quem era aquele produto. O i9 é da Coca-Cola Company! Depois de facilmente mais de uma década de Gatorade no Brasil, seguramente umas duas décadas de produto no mundo inteiro, a Coca-Cola finalmente resolveu botar a sua bandeira no segmento – em terras tupiniquins.

Eu não vou nem discutir aqui o porquê disso. Mais uma vez ela saindo do seu foco principal com a certeza de ser número 2 dessa categoria para sempre, mas, respeitando sempre o seu código genético de grande conglomerado: insistindo em ter tentáculos em múltiplas categorias. A Coca-Cola agora no Brasil também, tirando um pouquinho de market-share da Pepsi, a esperta compradora da Gatorade - agora a sua proprietária.

O meu questionamento aqui é o seguinte: Que diabos passou na cabeça da Coca-Cola em resolver inventar uma marca do ZERO aqui no país? Quanto em marketing terá que ser investido para isso se tornar digno de tirar pelo menos uma pequena lasca da Gatorade?

Será que ninguém teve a idéia de usar a marca POWERADE? Existente, consagrada, reconhecida mundialmente e já usada (e muito publicizada) pela Coca-Cola no mundo inteiro? A bebida que divide com o Gatorade prateleiras inteiras dos EUA e da Europa?

Que diabos Coca-Cola?

Entendo que a Coca não queria que Powerade parecesse uma imitação do Gatorade – a bebida reconhecida na mente do consumidor como a original (coisa que a Coca tem com seu principal produto – aqui é a Pepsi que é reconhecida como a imitação). Mas, é a mesma estratégia no mundo inteiro. Para que mudar aqui?

Acha que i9 vai fazer frente e poder desbancar a marca líder mais do que se usasse Powerade? Dou risadas.

A estratégia mais correta aqui teria sido ter usado a marca-mãe mesmo. Ter colocado a diversidade de sabores que é a característica forte da opção da Coca-Cola (com nomes fortes e marcantes como Mountain Blast). Usar todo o poder de influência do público comprador – que é muito mais influenciador e formador de opinião que compradores da maioria dos outros produtos. Muitos desses conhecem a marca do exterior, ou reconhecem quando ela aparece nem que seja na televisão.

Gatorade é bom, mas imagine agora POWERade. Esse é muito mais POWER, esse é da Coca-Cola. Poderiam ter usado isso. Utilizado essa marca, uma gama forte de variedades e tamanhos e todo o poder da Coca-Cola e barganhar pelo menos o mesmo espaço de prateleira do principal concorrente. Aquele arco-íris danado com um rótulo escrito POWER em toda a prateleira ao lado iria me chamar bastante atenção.

Garrafinha fálica, só dois sabores – os incipientes Limão e Tangerina - e com um micro-nome codificado de duas letras? Será que tem alguma pesquisa ou estratégia frente ao mercado feminino ou coisa assim que dê razão a poderosa vermelha?

Eu, que sonhava em tomar Powerade também no Brasil, fico curioso em saber como essa aventura da gigante de Atlanta no Brasil vai acabar.

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