18 Mar 2009

McDonald's

A morte que se anuncia

Hoje passei os olhos num artigo que mostrava uma tabela com a receita anual por loja (EUA) entre os anos de 93 e 2002. Os números eram parelhos todos os anos: cerca de US$ 1,5 milhão.

Primeira conclusão: não houve crescimento. Segunda: considerando a inflação, ouve na verdade uma queda. Dez anos depois teríamos que considerar algo entre 1,8 e 2 milhões.

Antes ainda da nossa atual “crise” mundial, a uns 2 ou 3 anos atrás lembro que a McDonald’s Corp. tinha apresentado o seu primeiro prejuízo trimestral da história – ou de décadas, desde a guerra, enfim, significativo.

Matematicamente, as perspectivas para a gigante dos arcos dourados não são boas.

O que acontece com o McDonald’s?

Eu lembro a primeira vez que eu fui ao McDonald’s na vida. Foi a primeira loja no estado. Já existia em SP e Rio a algum tempo, mas, chegava ali a hora da Praça da Alfândega ganhar a sua loja. Era o Big Mac (em embalagem foam), as batatas fritas e a Coca-Cola.

Hoje eu entro no McDonald’s e eu tenho: sorvetes, tortas, sucos, saladas, café da manhã, iogurtes, frutas, frango (nuggets) e uma infinidade de brinquedos. Mais ainda: como com 2 reais ou com 20. Tenho o hambúrguer barato, tenho uma série de promoções e combos, mas também tenho a salada de 10 reais, o milk-shake de 7 e o combo de 18. Isso ainda se eu não resolver ir ao outro McDonald’s, sim, o outro. Ali do lado, onde eu tenho cafés de muitos tipos, tortas, pastries e mais uma outra gama de itens – e sem a explosão de amarelos, vermelhos e seus companheiros. (Como é exaustante freqüentar um McD’s, o excesso visual cansa, e muito.)

Lá, Burger King, Wendy’s e Carl’s Jr./Hardee’s continuam a crescer: hamburguers. Mais: KFC vende frango, Taco Bell tacos e burritos e Outback steaks.

O McDonald’s se expande / não mais se afirma. O McDonald’s quer ser tudo e fica cada vez mais sem nada.

Aqui no terceirão, o Burger King chega e se encosta ao lado do Macs em todo o Brasil. Nossa classe média/alta (classe consumidora) está aprovando e muito a “nova” rede. O Rei do Hamburguer: hamburguers. Bons, grandes, deliciosos. Hamburguers. Ah, e Coca-Cola à vontade.

Consideração 1: o Burger King também tem outros itens. Tem, mas não "se acha”. O McD’s ao contrário, acha bonito anunciar mais e mais sua extensão de linha. Consideração 2: o McDonald’s morrer? Tá louco!?

É claro que isso não vai ser agora. Mas o declínio do império é evidente. Aqui no Brasil principalmente (menos décadas de país), o McDonald’s ainda tem a confiança do consumidor. O adulto tem sua imagem criada pelo molde antigo - muito mais focado. E conseqüentemente, paga a conta e “educa” nossos próximos consumidores a gostar dos produtos do palhaço. No entanto, essa nova geração já virá com essa imagem fraca/dissipada que o McDs se tornou. Uma marca que não representa fortemente mais nada.

Lá fora a situação está ainda mais avançada. Some-se a isso a proliferação de outras marcas fortes no segmento fast-food. Tudo se torna cada vez mais divergente e isso se dá inclusive dentro da categoria hamburguers, com o aparecimento de nichos como home-made-style burguers (caseiros) e high-end ou gourmet burguers (opções mais caras).

Ou aos poucos a marca se reencontra, o que eu acho muito difícil nesse cenário, ou então, assistiremos a agonia da rede pioneira desse negócio todo. Anos ou décadas? Não sabemos, mas que os arcos perderão a sua majestade, perderão sim.

Comentários


07 Aug 2009

all right!

Cínthya

07 Aug 2009

Hoje o McDonald's começa testes em regiões selecionadas dos EUA do produto SNACK WRAP MAC(!). O conteúdo de um hamburguer enrolado em uma tortilla! Isso mesmo!

Cleyton Arghiropol

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