25 Mar 2009
Hoje li uma reportagem que me fez pensar: O que está acontecendo com a Volkswagen?
Eu não lembro se foi em 2008 ou em 2007, mas enfim, a VW perdeu a liderança do mercado brasileiro para a Fiat. Sim, a Fiat. A última colocada entre as quatro originais (GM, VW, Ford e Fiat) até uma ou duas décadas atrás. Linha fraca e carros sem apelo faziam da Fiat motivo de piada (Família Italiana Atrapalhando o Trânsito e etc.). A Fiat conseguiu. Passou as três outras e roubou a liderança da montadora alemã.
De qualquer maneira, deixamos a Fiat e seus méritos de lado e vamos pensar um pouco na Volkswagen. Como ela conseguiu essa proeza?
Apesar dos números positivos apresentados pela última versão do Gol (terceiro modelo em 10 anos!), a VW está com sua posição de mercado – ou melhor, na mente do consumidor – seriamente comprometida.
Vejamos, ainda modelo líder de venda no país, o Gol é o carro-chefe da montadora desde os anos 80. O carro do brasileiro: como certa campanha nos trouxe. Cinco modelos depois, o Gol continua aí. Entende-se. Simples, barato, econômico e com um nome curtíssimo e, e como o próprio carro, um nome barato. G-O-L: Gol. Só brasileiro mesmo para achar bonito um carro com esse nome, mas, isso não vem ao caso.
Certa vez conversei com um experiente vendedor de automóveis que me manifestava o descontentamento de estar trabalhando em uma das maiores concessionárias VW do Estado. Me dizia: é muito complicado vender esses carros. Eles são todos iguais! Confesso que nunca tinha parado para pensar na questão e ele me explicou porquê: Na Chevrolet tu tem carro pequeno, tu tem o Astra, tu tem o Vectra, tu tem a Meriva. Tu pode vender uma Zafira para quem tem uma família grande. Tu tem 3 tamanhos de camionete. Tu tem a Blazer, a Tracker, as versões econômicas de todos ele com a família Corsa e Celta/Prisma. Aqui tu tem: o Gol, o Gol-sedã, o Gol-wagon, o mini-Gol (Fox), o mini-Gol cross (CrossFox), o Gol-quadrado (Polo), o Gol-quadrado-sedã (Polo Sedan), o super-Gol (Golf) e o super-Gol-sedan (Jetta). E no confuso meio-de-campo não podemos nos esquecer do Bora (entre o Gol-quadrado-sedan e o super-Gol-sedan). Para completar, ainda sai do seu conceito original de carro do povo com o Gol-sedan-presidencial (Passat), ultrapassando a faixa de carros de grande consumo (menos de 100 mil reais).
Fiquei realmente pensando nisso e percebi que é uma confusão enorme de marcas. Mesmo para quem é entendido de carros, fica complicado a gente identificar cada um dos modelos na rua. Na distância muitos desses modelos acima se confundem mesmo.
A Volkswagen encheu a sua linha com carros todos parecidos. Ela não trabalha com opostos, com modelos únicos e bem diferentes entre eles. Construiu uma linha inteira de carros sem personalidade alguma.
É claro que analisando o mercado que só pode pagar o mínimo, precisa de uma manutenção simples e barata, o Gol ainda é o carro preferido da nação e a VW continua firme nas vendas (devido também a incompetência de suas rivais que também não se ajudam), mas, sua liderança já era e a tendência é que tudo piore ainda mais. A aura Volks ainda mostra sinais de existir junto ao nosso povo, mas o próximo público consumidor nem vai saber o que é isso pelo andar da carruagem – ou dos carros.
O que eu acho que a Volks deveria ter feito? Simples! Resgatar o verdadeiro espírito da marca. Reforçar o que ela sempre significou. O produto precisa significar alguma coisa e Volkswagen significa carro do povo. Quem vai gastar 90 mil reais num Jetta ou 130 mil num Passat? VW não vai te agregar valor nenhum! Tente um Audi (divisão de luxo da corporação que está aí justamente para isso) ou outras marcas posicionadas na mente do consumidor como carros de maior prestígio – de preferência os “importados” (não pertencentes as quatro montadoras tradicionais).
E Gol? Variantes do Gol? Todo respeito ao carro mais vendido da história do país, mas é hora do espírito Volkswagen. E o que representa isso melhor que o FUSCA! Claro, o Volkswagen original! Esse carro que é a salvação da VW!
Sim, o Fusca voltou, mas o que a montadora fez? Além de ter redesenhado um clássico do design por outro, talvez tão marcante e já histórico quanto, colocou motor 2.0 16v, câmbio automático, airbags, ABS, teto solar e banco de couro! Tudo muito bacana, tudo muito justo e tudo muito bonito... NA EUROPA! ...NOS EUA! Volkswagen querida, isso é Brasil! Carro pro povo! Aqui o teu consumidor é pobre e precisa de um carro barato e que não consuma muita gasolina! Lembre-se que o governo desse país cobra do teu freguês o dobro do que tu ganha. No posto de gasolina é a mesma história.
O brasileiro vai continuar comprando o teu Gol e suas dezenas de concorrentes diretos: carros pequenos, comuns e baratos. Não só da Fiat, GM e Ford, como também das demais montadoras que trazem para a mesma faixa de entrada, produtos muito mais modernos e com muito mais valor agregado como a Renault e Peugeot (outras já indicam entrada na categoria).
O que tu precisa é um carro único como o Fusca sempre foi. Tira o teto, tira o couro, tira o automático. Coloca um propulsor 1.3 simples (imagina a volta do clássico) e vende junto com a turma de entrada entre 30 e 40 mil. Preto, branco, amarelo, verde, prata, chumbo, Ferrari red e night blue. Que fique 2, 3, 5 ou 7 mil mais caro que o mais barato deles desde que não troque de faixa de preço.
Tenho a sensação que esse carro, da forma como ele se chamaria, desbancaria qualquer um no topo da lista de venda. Teria fila de espera nas lojas com gente vendendo os seus próprios carros para ter a chance de ter um carro único e diferente de todos os outros.
Ou então, continue com o Gol e toda a sua enorme linha de variantes, compre um monte de espaço na televisão, não mostre o seu produto e me apresente dois alemães vestidos de branco tentando dizer um para o outro em português É NÓIS e me assine o filme VW: Das auto !
Beeeeeeeeeeeem
A Era do Convencimento www.convencimento.com.br Um blog de Cleyton Arghiropol cleyton@arghiropol.com