04 Feb 2010
Tão falando tão mal do iPad.
Vamos recapitular um pouco. Qual foi a maior revolução da Apple desde a volta do Steve Jobs? Foi o iPod. Pode pesquisar. O cara simplesmente mudou o jeito de se escutar música, de interagir com ela, da indústria se comportar. Ele digitalizou a arte e como muitos dizem, e eu acredito, ele a democratizou. O iPod realmente levou a música até as pessoas.
O invento já está prestes a completar 10 anos e passou por muitas transformações. De qualquer forma, ele ainda está aí. É líder e referência no mercado. Não existe melhor produto para se escutar música no mundo. É portátil, fácil e se acopla com praticamente tudo.
Agora a pergunta clássica: o que é um iPod? É um tocador digital e portátil de música.
Ah, hoje em dia ele armazena fotos, jogos, vídeos, tem câmera e aplicações mil: perfumes que o abrilhantam ainda mais: tocador digital e portátil de música.
Isso é foco.
Então veio a nova revolução da Apple. O telefone que faz tudo!
O iPhone faz tudo! São milhões de aplicações e ele pode fazer praticamente qualquer coisa. Se você imaginar, alguém possivelmente já fez e colocou de graça ou, por uma pequena quantia, na loja virtual de apps da Apple.
A dúvida que se fazia quando do seu lançamento (eu confesso que também fiz) era sobre o foco do produto. O iPhone era um melhor telefone que o que você tem no bolso? É um melhor navegador de internet? É um e-mail melhor? É um iPod melhor? Possivelmente a resposta é não para todas essas perguntas.
O que é um iPhone? É um telefone, period!
Steve Jobs apresentou o produto com pouca ênfase nesse sentido, na minha opinião, falando talvez mais sobre todas as maravilhas que ele TAMBÉM fazia.
Mesmo sem ser melhor em nada, o iPhone rapidamente se tornou um produto cultuado em todo o mundo. Os aparelhos do tipo smartphone estão se tornando o padrão da indústria. As pessoas realmente querem ter mais facilidade em seus bolsos. Claro que ele não é melhor em nada, mas é sempre bom saber que poderemos entrar na internet ou checar os e-mails quando precisarmos. Além disso, nunca estaremos livres de ficar esperando alguma coisa e nesse caso, um videogame ou uma musiquinha sempre são boas companhias.
Ou seja, apesar de uma estratégia mais multimídia e menos focada, o iPhone vai muito bem. É que o produto (em sua categoria) é basicamente uma necessidade. Todo mundo já anda com um celular no bolso. Por que não um desses?
E o iPad?
iPod? Melhor music player. iPhone? Melhor smartphone. iPad? iPad?
Pois é. O Steve mostrou, até em gráficos, onde ele ficaria. Estava ele mais uma vez revolucionando o mercado criando uma nova categoria: entre um telefone (iPhone) e um netbook. Ali, no meio do caminho que não existia nada. Melhor que um iPod touch e mais prático que um netbook. Brincadeiras horas depois davam conta que ele simplesmente tinha criado um iPod Touch gigante.
O que é um iPad? É um iPod Touch gigante, que além de não caber no meu bolso, não é multi-tarefa como um netbook... além de também não ter teclado!
O que é um iPad? É um tablet de toque para eu fazer o que? Um pouco de cada coisa? É um enorme de um brinquedo!?
Acho que dessa vez o Steve realmente se perdeu nas MUITAS funcionalidades do iPad, tanto, que ele não tornou claro para ninguém o que realmente o iPad é.
Steve, o iPad é um e-reader! Não existe intermediário entre o iPod Touch e o netbook. Essa categoria já foi criada quando a Amazon lançou o Kindle!
Esse é o teu foco!
Porque muita gente ainda não adotou o Kindle? Ok, ele não tem tela que brilha, mas e daí? Ninguém quer pagar uma fortuna por um aparelho que só lê livros! Se a pessoa precisar navegar no Kindle? Não pode! Se quiser ver um vídeo? Não pode? E-mails, nem pensar!
Teu e-reader é muito melhor que o da Amazon! Ele é colorido. É animado. Tu pode comprar livros de uma prateleira virtual em madeira linda na tua loja. Parece uma Borders virtual!
E como o iPod e o iPhone, ele não toca só música, liga e manda mensagem e, lê LIVROS e REVISTAS, ele é um centro de entretenimento completo.
Mas todo o resto, as pessoas já têm! Se é para ter que carregar em uma pasta ou mochila, eu já tenho meu notebook. Smartphone? Já tenho. MP3? Também. Mas meus livros e minhas revistas ainda são de papel! O iPad tem que ser focado em leitura! Mostrar as pessoas lendo o iPad. Livros digitais! Revistas digitais! Já tinha que ter lançado ele não falando das parcerias com operadoras e internet, mas sim com fornecedores de conteúdo: de livros, de revistas. Da mesma forma que ele fez com o iPod e o iTunes! Dizer em alto e bom som que já existem X mil títulos disponíveis para o iPad assim como X centenas de revistas para comprar avulsas ou assinar!
Não só dava foco a esse produto, mas levaria livros para a sua loja. É desbancar a Amazon como grande vendedora mundial de livros.
Foco Jobs, foco! Agora sim.
Mas vai saber. Como aconteceu com o iPhone, pode ser que o iPad exploda e todo mundo não viva sem. O culto à Apple é tão grande que eu não duvido de absolutamente nenhuma invenção de Steve Jobs. É como disse aquele apaixonado usuário nesse vídeo do The Onion: "Eu compro qualquer coisa que brilha e é feita pela Apple."
A Era do Convencimento www.convencimento.com.br Um blog de Cleyton Arghiropol cleyton@arghiropol.com